O Ministério Público do Piauí (MPPI) realizou, nesta segunda-feira (26), o evento Feminicídio Zero, uma capacitação promovida pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça Criminais (Caocrim), em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf). A atividade reuniu integrantes do MPPI, do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), da Defensoria Pública do Piauí (DPE-PI), entre outros órgãos.

A abertura contou com falas da diretora do Ceaf/MPPI, promotora de Justiça Luana Azerêdo Alves, e da coordenadora do Caocrim/MPPI, promotora de Justiça Rita de Cássia de Carvalho Rocha Gomes. As autoridades destacaram a importância de qualificar a atuação institucional para o enfrentamento da violência de gênero, o aprimoramento das respostas estatais nos casos de feminicídio e o fortalecimento do diálogo e da integração entre as instituições do sistema de segurança pública e de justiça.

A programação teve início com o painel “Aspectos sociológicos dos eventos letais em termos de violência de gênero”, conduzido pela professora e socióloga Rossana Maria Marinho Albuquerque, com mediação da promotora de Justiça Maria do Amparo de Souza Paz, coordenadora do Núcleo das Promotorias de Justiça de Defesa da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (Nupevid).

“Pensar sobre essa realidade é um passo importante, também, para iluminar caminhos de políticas de prevenção. Isso envolve mudanças culturais e o desenvolvimento de políticas públicas que alcancem os autores das violências e as vítimas. Trata-se de um trabalho complexo e de longo prazo, pois o problema da violência contra as mulheres no Brasil está enraizado em nossa formação social”, explicou a socióloga Rossana Albuquerque.

Em seguida, foi realizado o painel interativo “Debates interinstitucionais sobre perícias em casos de feminicídio para a construção de um protocolo assertivo”. A discussão foi mediada pela promotora de Justiça Rita de Cássia de Carvalho Rocha Gomes e contou com a participação da promotora de Justiça Tallita Luzia Bezerra Araújo e da delegada titular da Delegacia Especializada em Feminicídio da Polícia Civil do Piauí, Natália Sampaio.

“O Piauí dispor de um protocolo específico para investigação e perícias em casos de feminicídio é extremamente importante. Ele representa uma forma de padronização e de qualificação das investigações e das perícias. A persecução penal se inicia, naturalmente, com o inquérito, mas avança para a fase processual. Nesse sentido, a colaboração institucional, com um olhar integrado que envolve não apenas a investigação, mas também o Ministério Público e o Poder Judiciário, é fundamental para que haja, de fato, a responsabilização criminal nos casos de feminicídio”, destacou a delegada.