A Prefeitura Municipal de Teresina anulou o decreto que concedia um terreno público à empresa HD Transporte de Cargas EIRELI/EPP, conhecida como HD Log, no Polo Empresarial Sul da capital. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município de Teresina desta quarta-feira (21).
Segundo o decreto, a empresa não cumpriu os prazos previstos para iniciar as obras e colocar o empreendimento em funcionamento, condições obrigatórias para a manutenção do benefício concedido pelo município.
O terreno fica no Lote 12 da Quadra “O”, no Polo Empresarial Sul, e possui área de 10.724 metros quadrados. A doação havia sido formalizada em 2022, durante a gestão do então prefeito Dr. Pessoa, como parte da política de incentivo à instalação de empresas na região.
Descumprimento levou à anulação
De acordo com a prefeitura, a empresa deveria iniciar as obras no prazo máximo de 180 dias e começar as operações empresariais em até 360 dias após a formalização da doação. No entanto, conforme apuração da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, não houve início das obras nem funcionamento da empresa no local, além da ausência de pedido de prorrogação dentro do prazo legal.
A anulação do benefício foi baseada em processo administrativo e em decisão do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico.
Com isso, o terreno retorna automaticamente ao patrimônio do município, e a empresa deverá liberar a área de forma imediata. A SEMDEC também foi autorizada a comunicar o cartório para cancelamento do registro da doação.
Entenda o caso
A HD Transporte de Cargas EIRELI/EPP foi uma das empresas contempladas em outubro de 2022, na gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa, durante a 62ª reunião do CONTEDE, realizada de forma on-line. Na ocasião, 12 empresas receberam autorização para ocupar áreas no Polo Empresarial Sul, com a previsão de geração de 1.747 empregos diretos, sendo 550 imediatos, além de investimentos estimados em R$ 50 milhões.
A proposta da gestão municipal, à época, era atrair empresas dos setores logístico, industrial, atacadista e energético, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade e ampliar a arrecadação.
Entre as empresas aprovadas naquela reunião estava a HD Transporte de Cargas EIRELI/EPP, que passou a integrar o grupo beneficiado com áreas no polo, sob a condição de cumprir os prazos de ocupação e funcionamento.
Ligação com a Operação Carbono Oculto
Atualmente, a empresa tem como sócios Moises Soares e a Pima Energia P Ltda.. Moises também figura como administrador de postos de combustíveis da rede HD, incluindo o Posto HD 01 e o Posto HD 12, que aparecem na lista de estabelecimentos interditados durante a Operação Carbono Oculto, deflagrada em novembro de 2025.
Entenda a operação
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada para investigar um esquema de fraude, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis com atuação no Piauí e em outros estados. As investigações apontam que empresários usavam redes de postos de combustíveis, empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para movimentar e ocultar recursos ilícitos ligados a uma organização criminosa de atuação nacional.
No Piauí, a operação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na interdição de 49 postos de combustíveis em municípios como Teresina, Parnaíba, Altos, Demerval Lobão, Lagoa do Piauí e Picos. Órgãos como o Imepi identificaram indícios de bomba baixa, com venda de combustível em quantidade menor do que a registrada, além de manipulação eletrônica nos equipamentos.
O ponto de partida da investigação foi a venda da Rede de Postos HD, realizada em dezembro de 2023, após a criação da empresa Pima Energia, constituída poucos dias antes da compra, o que levantou suspeitas das autoridades. As apurações indicam ainda o uso de laranjas, confusão patrimonial e emissão de notas fiscais sem movimentação real de combustíveis.
Segundo a polícia, o esquema movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, com prejuízos ao consumidor e ao fisco. Apesar da gravidade das suspeitas, não houve prisões até o momento, e as investigações seguem em andamento. Os citados têm direito à ampla defesa.
fonte cidadesnanet.com