sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ministério Público investiga suspeita de sobrepreço em compra de caminhonetes pela Prefeitura de Luzilândia

 Investigação mira pregão eletrônico para compra de caminhonetes, após indícios de sobrepreço, exigências restritivas e falhas na instrução do processo.



O Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) instaurou inquérito civil para investigar suspeitas de irregularidades na compra de sete caminhonetes zero quilômetro pela Prefeitura de Luzilândia, no Norte do Piauí. A aquisição, realizada por meio de pregão eletrônico, teria gerado um possível sobrepreço de aproximadamente R$ 85 mil por veículo, segundo análise preliminar do órgão

De acordo com portaria de Inquérito Civil publicada nessa quarta-feira (28) no Diário Eletrônico do MP-PI, cada caminhonete foi adquirida pelo valor aproximado de R$ 290 mil, enquanto a mediana de mercado, conforme relatório do Painel de Preços, seria de cerca de R$ 205 mil por unidade. A diferença representa um gasto adicional estimado em quase R$ 600 mil na aquisição total.

O inquérito civil nº 01/2026, conduzido pelo promotor de Justiça Petrônio Henrique Cavalcante, teve origem em procedimento preparatório aberto em 2025 para apurar possíveis irregularidades no Pregão Eletrônico SRP nº 019/2024, realizado pela administração municipal.

Além do sobrepreço, o MP-PI investiga outras supostas irregularidades no processo licitatório. Entre elas, a exigência de que as empresas interessadas se credenciassem na plataforma BBMNET, com cobrança de taxas aos licitantes, prática que seria contrária à jurisprudência do Tribunal de Contas da União (TCU).

Outra questão levantada pelo órgão diz respeito à especificação técnica que exigia caçamba com capacidade superior a 1.200 litros, sem justificativa clara sobre a necessidade dessa característica para os veículos destinados à Secretaria Municipal de Saúde.

Na portaria, o promotor determinou que a Prefeitura de Luzilândia, a Secretaria Municipal de Saúde e a Comissão Permanente de Licitação apresentem, no prazo de cinco dias, documentação completa do processo licitatório, incluindo edital, estudo técnico preliminar, pesquisa de preços e contratos firmados.

O município também deverá justificar a discrepância entre os valores pagos e os praticados no mercado, informar se houve tentativa de negociação com a empresa vencedora e esclarecer tecnicamente a necessidade das especificações exigidas no edital.

O documento alerta que o não atendimento às determinações poderá resultar na adoção de medidas legais cabíveis, incluindo o ajuizamento de ação civil pública.

fonte revistaaz.com.br