quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Áudios apontam suposta compra de apoio por vereador de Teresina

Áudios apontam suposta compra de apoio por vereador de Teresina

A reportagem tentou contato com o vereador major Paulo, mas até as 17h10 todas as ligações caíram na caixa postal.

Áudios gravados através do aplicativo whatsapp e enviados à reportagem d'O DIA mostram uma conversa comprometedora entre o vereador major Paulo, do Solidariedade, e uma mulher identificada como Rosileide.
Num dos áudios, o vereador exige que a mulher devolva parte de um dinheiro que ele teria dado a ela em troca do apoio à sua candidatura a reeleição na Câmara Municipal. O major queixa-se que o marido da mulher estaria apoiando outro candidato, e, portanto, estaria "traindo" o acordo firmado com ele.
Major Paulo, vereador pelo Solidariedade (Foto: Elias Fontinele / O DIA)
"Rose, faz o seguinte. Não vamos mais entrar na questão não. Vamos fazer o seguinte. Eu lhe dei R$ 550 nesse material. Você devolve os R$ 450 e acabou a história. Certo? Você fique lá com seu deputado, com esse seu vereador aí, com seu marido aí, que tá traindo a gente, tá com o Ítalo. Tá bom? Isso é brincadeira, rapaz. É falta de respeito. Tá certo? Mas tudo bem. Eu queria que você marcasse o dia pra mim (sic) ir aí buscar. Eu não quero mais conversa não. Tá ok", afirma o major Paulo.

Em outro áudio, o candidato do Solidariedade chega a afirmar que, caso a mulher não tenha como devolver o dinheiro, ele vai mandar retirar o material de construção que ela teria comprado com os R$ 550. 
"Se você não me der até segunda-feira, eu vou mandar um caminhão aí e retiro a areia e o seixo. Não tem problema não. Eu mando tirar, entendeu? Tá", fala o major, em outra gravação.
A mulher, então, responde ao major que realmente não tem como pagar o valor, pois tem filhos para sustentar, e fala que o vereador pode mandar retirar o material da sua casa. "Não, pois pode mandar tirar. O senhor pode mandar o caminhão vir aqui buscar a areia e o seixo. Que eu sei que daqui pra segunda-feira eu não vou ter seu dinheiro. Eu sou pobre, eu tenho meus filhos pra mim dar de comida (sic), num tem? Se eu vou atrás de um político é pra ele me ajudar mesmo. Aí eu ajudo o político, fiz o máximo que eu pude, levei um tanto de gente aí, e se não deu certo eu não vou obrigar ninguém, né não? Pode mandar buscar major", responde a mulher.
Num quarto áudio é possível o marido de Rosileide fala para o major Paulo que não deve satisfação nenhuma a ele, e que pode "fechar" com o candidato que quiser.
"Major, eu vou deixar bem claro pro senhor que eu nunca fechei nada com o senhor não, meu patrão. Eu nem lhe conheço. Nem intimidade eu tenho com o senhor não. Se eu fechar com o Ítalo é problema meu, que eu não lhe devo não. Se feche pro meu lado", afirma o homem.
O major ainda gravou dois áudios para responder o marido de Rosileide. "Negócio de mandar me fechar... Quem tem que se fechar é ele, que eu não tenho medo dele não", afirma o vereador numa das gravações.
No último áudio, o major diz que não quer nada do casal, apenas o que lhe pertence, e conclui afirmando que não vai admitir ser ameaçado.
"Rosileide, eu não quero problema. Eu não admito esse teu marido me ameaçar. Eu não tenho medo dele. Tá certo? Se ele quiser falar comigo eu vou aí pessoalmente falar com ele. Eu não tenho medo dele não. Tá certo? Eu não estou pedindo nada a você. Tá certo? Se ele tá com o Ítalo, se num tá, é problema dele, tá? Agora num tá certo é mulher fechar de um lado e marido fechar do outro. Mas não tem problema não, tá? Eu só quero o que é meu, não quero nada seu. Não tem problema nenhum. Agora, ele me ameaçar eu não admito não. Eu não sou homem pra ser ameaçado. Diga pra ele que eu não tenho medo de homem não. Que eu não tenho medo não e me ameaçar eu não admito não. Certo?", conclui o major.
A reportagem tentou contato com o vereador major Paulo, mas até as 17h10 todas as ligações caíram na caixa postal.

fonte portal o dia