sexta-feira, 24 de abril de 2026

MISTÉRIO Caso Lucas Vinícius: 4 anos depois, família ainda busca respostas sobre desaparecimento de jovem em Teresina; o que aconteceu?

 Família rebate versão de suicídio e aponta falhas na investigação enquanto mistério sobre paradeiro do jovem persiste até hoje

Nesta sexta-feira, 24 de abril, completam-se quatro anos do desaparecimento de Lucas Vinícius. O jovem sumiu ao voltar de uma festa ao lado da namorada e, desde então, o caso se tornou um dos mais enigmáticos do Piauí. Marcado por versões divergentes e lacunas na investigação, o episódio segue sem desfecho, enquanto a família continua em busca de uma resposta definitiva sobre o paradeiro do jovem.


O desaparecimento ocorreu em 24 de abril de 2022, em Teresina. Na ocasião, Lucas e a namorada, Maria Gabriela, retornavam de uma boate onde teriam consumido bebidas alcoólicas. Segundo o relato dela às autoridades, o casal teria discutido durante o trajeto. Em meio à discussão, o carro foi parado e, de acordo com essa versão, Lucas saiu do veículo, se aproximou da estrutura da Ponte Juscelino Kubitschek e, em seguida, se lançou, caindo no Rio Poti.  

Quatro anos depois, desaparecimento de Lucas Vinícius segue sem respostas no Piauí; mãe continua em busca de filho
TV Antena 10

   

Ana Lúcia, a mãe do estudante, no entanto, contesta essa versão e acredita que o caso pode ter tido um desfecho mais violento. As buscas começaram na manhã seguinte ao desaparecimento. O Corpo de Bombeiros realizou operações no Rio Poti por mais de 20 dias, ultrapassando o período previsto nos protocolos de resgate. Apesar dos esforços, nenhum vestígio do jovem foi encontrado.

"Está sendo muito difícil. Na verdade, eu sobrevivo, eu não tenho vida mais. Eu faço tratamento psicológico, tomo remédio à pressão alta. Minha vida acabou", disse em entrevista à TV Antena 10 e ao A10+. 

Desde o início das investigações, a família passou a questionar a versão apresentada pela namorada. O advogado dos pais aponta inconsistências no depoimento e cobra maior aprofundamento das autoridades. Com isso, os familiares passaram a sustentar a hipótese de que o estudante possa ter sido vítima de um crime.

"No dia dos fatos, ela ficou com o celular do Lucas por dois dias. Ela não queria devolver. E nesse tempo, ela apagou a localização por onde se andou. Isso, os peritos que eu contratei descobriram. O celular do Lucas ficou por um ano no DHPP e ela deixou o celular da irmã dela para não ser periciado. Como que uma pessoa que não deve não deixaria o celular lá no DHPP, o próprio celular?", indagou a mãe de Lucas.

  

Lucas e a então namorada, Maria Gabriela
Reprodução

   

A família também questiona a ausência de perícias consideradas relevantes para o esclarecimento do caso, como a análise do veículo e de possíveis lesões.

"Eu pedi [perícia] no DHPP, as escoriações estavam bem visíveis nos joelhos e no braço. Aí ela falou assim, foi eu tentando salvar ele lá. Só que o DHHP não fez o pedido e ela não fez. O carro do Lucas estava com ela. O carro não foi periciado. Muita coisa errada, muita coisa. O DHPP deu por enterrado. Hoje, eu luto sozinha em busca de resposta", explicou.

Segundo Ana Lúcia, sua neta, criada como filha, em certo momento teria ouvido Maria Gabriela falando que Lucas e um jovem chamado Felipe teriam brigado na festa em que estavam. Ela completa dizendo que a familiar ouviu a então namorada de Lucas contar que ele teria caído e batido a cabeça.

"A Mirela é minha neta-filha, sobrinha do Lucas. Ela estava no Piauí estudando na época e ela escutou a Maria Gabriela falar para os pais dela que o Felipe, que é o rapaz da desavença, deu um empurrão no Lucas e ele bateu a cabeça na pedra. O depoimento da Mirela é esse. O Felipe é um cara que ela flertava com ele e namorava com meu filho", explicou.

  

Jovem teria caído da Ponte Juscelino Kubitschek, nas águas do Rio Poti
TV Antena 10

   

Mesmo sem a localização do corpo de Lucas, o caso foi formalmente encerrado nas esferas policial e judicial em 2023. Em abril daquele ano, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa concluiu o inquérito sem indiciar ninguém. A polícia informou que não encontrou indícios de crime e encaminhou o relatório à justiça. Após analisar o inquérito, o Ministério Público do Piauí optou por não apresentar denúncia criminal e solicitou o arquivamento do caso.

Segundo a promotoria, já havia se passado cerca de um ano desde o desaparecimento, sem elementos suficientes para sustentar uma acusação. As diligências possíveis teriam sido esgotadas e, conforme apontado, o caso indicaria em tese um ato sem participação de terceiros.

Um caso cercado por incertezas e uma dor que, segundo a família, só aumenta com o passar do tempo. Ao longo desses quatro anos, a mãe de Lucas convive com o sofrimento de não ter respostas concretas, sem a localização do corpo.

Fonte: Portal A10+