Produzidas 100% à mão, as peças criadas por Cícero Juvenal já chegaram a diversos estados brasileiros e países como Chile, Argentina e México…
O que para muitos poderia parecer apenas uma ideia inusitada tornou-se uma verdadeira expressão de talento, criatividade e perseverança. Em Marcolândia, Cícero Juvenal de 33 anos, transformou um sonho em uma atividade que hoje desperta a curiosidade e a admiração de pessoas de diferentes estados brasileiros e até de outros países.
Conhecido nas redes sociais pelas miniaturas de turbinas eólicas que produz artesanalmente, Cícero vem chamando a atenção pela riqueza de detalhes de cada peça. O trabalho, feito inteiramente à mão, é resultado de anos de dedicação, aperfeiçoamento e, acima de tudo, da coragem de acreditar em uma ideia que nasceu enquanto observava a transformação da paisagem da região com a chegada dos parques eólicos.
Em entrevista ao Cidades na Net, o artesão relembrou como tudo começou e contou que a inspiração surgiu antes mesmo de fabricar sua primeira miniatura.

“Eu sou natural de Padre Marcos. Na época em que começaram as obras dos parques eólicos aqui entre Marcolândia, Padre Marcos e Simões, recebi uma proposta para trabalhar em Marcolândia como motorista. Foi justamente nesse período que tive um sonho. Sonhei que construía uma miniatura de turbina eólica. Era um protótipo bem simples, sem muitos detalhes, mas funcionava. Quando acordei, fiquei com aquilo na cabeça”, expressou.
Segundo ele, a convivência diária com as estruturas gigantescas dos aerogeradores acabou alimentando ainda mais esse desejo.
“Quando começaram a montar as bases das turbinas, aquilo mexeu muito comigo. Acho que foi daí que nasceu essa inspiração. Depois daquele sonho, eu disse para mim mesmo que precisava colocar aquilo em prática para descobrir se realmente daria certo”, acrescentou.
O início foi marcado por desafios
Entre a inspiração e o primeiro modelo pronto existiu um caminho cheio de dificuldades. Sem equipamentos especializados, conhecimento técnico ou uma estrutura adequada, Cícero precisou aprender praticamente tudo sozinho.
“Foi muito difícil no começo. Eu não conhecia muita gente aqui em Marcolândia, não tinha estrutura para produzir algo com qualidade e também não sabia exatamente como fazer. Mas fui insistindo, errando, tentando de novo e, aos poucos, consegui aperfeiçoar cada detalhe”, explicou.
Hoje, cada miniatura é produzida manualmente utilizando materiais como PVC, MDF e metalon. Diferente do que muitas pessoas imaginam, nenhuma etapa é feita por impressoras 3D.

“É um artesanato cem por cento feito à mão. Eu não utilizo máquina 3D. Tenho apenas uma esmerilhadeira e uma furadeira. Deus me deu esse sonho, me deu essas mãos e as ideias. O restante é dedicação”, disse.
Muito além da aparência, as miniaturas impressionam porque realmente funcionam. Cada unidade exige um processo minucioso que envolve corte, lixamento, pintura, montagem, instalação elétrica e testes.
Segundo Cícero, nenhuma peça sai da oficina antes de ser completamente revisada.

“Levo, em média, dois dias para concluir uma miniatura. Primeiro faço todos os cortes, depois lixo cada peça, realizo a pintura e espero secar. No dia seguinte faço toda a montagem, a instalação elétrica e, por último, os testes para garantir que tudo funcione perfeitamente”, destacou.
Ao comparar os primeiros modelos com os atuais, ele reconhece a grande evolução conquistada ao longo dos anos.
“Mudou muita coisa. Hoje o acabamento é outro, o design evoluiu bastante, os detalhes ficaram muito mais refinados. Cada nova peça representa um aprendizado”, pautou.
A primeira venda e o reconhecimento
A primeira miniatura foi comprada por uma tia de sua esposa. A reação da família acabou impulsionando algo muito maior.
“Ela ficou encantada. Depois vieram os vizinhos, os amigos e as pessoas da comunidade. Todo mundo perguntava quem tinha feito. Foi aí que comecei a perceber que aquilo realmente poderia dar certo”, enfatizou.
O reconhecimento ultrapassou rapidamente os limites de Marcolândia.

Hoje, as miniaturas produzidas já chegaram a praticamente todos os estados brasileiros. E a arte criada no interior do Piauí também cruzou fronteiras.
“Já tenho miniaturas no Chile, na Argentina e no México. Geralmente quem compra aqui no Brasil leva para fora do país. É uma felicidade enorme saber que meu trabalho chegou tão longe”, falou.
Os desafios continuam
Apesar do sucesso conquistado, Cícero afirma que ainda enfrenta obstáculos para expandir o negócio. A principal dificuldade está na aquisição de materiais, já que boa parte precisa ser comprada em outras cidades ou estados. Além disso, ele ainda não possui um espaço próprio para expor suas peças.
“Metade dos materiais vem de fora. Também não tenho uma loja física. As miniaturas ficam guardadas em casa, em um quarto que reservei para isso. Outro desafio é a divulgação. Eu não tenho muita habilidade para criar conteúdos e fazer meu trabalho alcançar mais pessoas”, falou.
Um sonho que continua crescendo
Ao falar sobre sua profissão, Cícero emociona-se ao definir as miniaturas como um presente recebido de Deus. Para ele, fabricar turbinas em escala reduzida nunca foi apenas uma atividade comercial.
“É uma gratidão enorme. Essa arte foi Deus quem me deu. Todos os dias agradeço por esse dom. Não faço isso pensando apenas no lucro. Faço porque amo. É um sonho que saiu do papel e virou realidade. Saber que meu trabalho inspira outras pessoas é algo que não tem preço”, expessou.
Mesmo com o reconhecimento conquistado, Cícero acredita que ainda está apenas no começo de sua trajetória. Seu maior desejo é abrir uma loja física, onde os visitantes possam conhecer de perto seu trabalho.
“Meu sonho é ter um espaço onde as pessoas possam entrar, escolher as miniaturas, encontrar camisetas, bonés, canecas e outros produtos relacionados às turbinas. Quero criar um ambiente agradável, onde as pessoas também possam tirar fotos e conhecer toda essa história”, salientou.
O artesão deixou uma mensagem para quem ainda sonha em transformar uma ideia em realidade.
“Nunca pare de sonhar. Continue acreditando, confie em Deus, tenha coragem, perseverança e foco. As coisas acontecem no tempo certo. Se você não desistir, sua hora também vai chegar”, concluiu.
A história de Cícero Juvenal mostra que grandes realizações nem sempre começam em grandes centros ou com grandes investimentos. Às vezes, elas nascem de um sonho, da coragem de dar o primeiro passo e da determinação de quem acredita que o impossível pode, sim, ganhar forma pelas próprias mãos.
Fonte portal Cidade na net