A Polícia Civil do Piauí concluiu as investigações envolvendo o prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), e decidiu pelo indiciamento do gestor pelos crimes de favorecimento à exploração sexual de criança e adolescente e peculato. Este último se refere ao desvio ou apropriação de recursos públicos por um agente em razão da função que exerce.
A conclusão do inquérito foi confirmada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko. Segundo ele, a investigação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), se estendeu por vários meses e reuniu um conjunto de provas, incluindo os depoimentos de quatro adolescentes identificadas como vítimas.
De acordo com o delegado, as jovens teriam sido aliciadas e prestaram depoimento durante o curso das investigações. Além disso, a polícia afirma ter reunido elementos que indicam a utilização de recursos públicos para viabilizar o suposto esquema.
Entre as provas reunidas estão relatos das vítimas, testemunhas e familiares, escutas especializadas, conversas extraídas de aplicativos de mensagens, movimentações bancárias e outros documentos. Na avaliação da autoridade policial, o material obtido apresenta indícios suficientes de autoria e materialidade para fundamentar o indiciamento.
Sobre a investigação por peculato, Luccy Keiko afirmou que foram identificadas movimentações milionárias relacionadas à aquisição de combustíveis por uma empresa. Segundo ele, um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) aponta indícios de superfaturamento, informação que também consta no relatório elaborado pela delegada responsável pelo caso. Os elementos, conforme a Polícia Civil, serão compartilhados com a unidade especializada no combate à corrupção para aprofundamento das apurações.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Agora, caberá ao Ministério Público analisar as provas reunidas e decidir se apresentará denúncia criminal contra os investigados.
Defesa
Em nota, a defesa do prefeito afirmou que recebeu a conclusão do inquérito "com naturalidade" e destacou que o indiciamento não representa condenação ou reconhecimento de culpa.
Os advogados informaram ainda que Silas Noronha continuará colaborando com as autoridades e exercerá o direito à ampla defesa durante o andamento do processo, sustentando que os fatos serão esclarecidos no curso da ação judicial.
Entenda o caso
O prefeito é investigado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí sob suspeita de favorecer a exploração sexual de adolescentes. O procedimento está em tramitação na 2ª Câmara Especializada Criminal.
As denúncias tiveram origem a partir do depoimento de um ex-integrante da campanha eleitoral de Silas Noronha. Ele afirma ter atuado como intermediador entre o prefeito e adolescentes de 13 e 14 anos, que, segundo o relato, seriam apresentadas mediante pagamento.
Ainda conforme o denunciante, o suposto esquema envolvia promessas de emprego e pagamentos mensais. Ele declarou que, após a reeleição do prefeito em 2024, voltou a ser procurado por pessoas ligadas ao gestor e, posteriormente, pelo próprio prefeito, que teria oferecido a continuidade dos repasses financeiros em troca da intermediação com menores.
O ex-colaborador também afirmou que os encontros teriam ocorrido tanto em imóveis localizados em Pio IX quanto em outros municípios. Segundo ele, áudios, vídeos, comprovantes de transferências bancárias e conversas por aplicativos foram entregues à Polícia Civil para subsidiar as investigações.
O caso começou a ser apurado pela 1ª Delegacia de Corrente e, posteriormente, foi encaminhado ao Judiciário. O inquérito investiga suspeitas relacionadas ao favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual envolvendo crianças e adolescentes, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O denunciante também declarou ter recebido ameaças em razão das acusações e afirma temer por sua segurança. Ele tornou o caso público por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, no qual sustenta que todas as denúncias apresentadas às autoridades são acompanhadas de provas.
Fonte portal R10