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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Do barro à memória: as mãos que moldam a identidade do Piauí

 

Às margens do Rio Poti, artesãos transformam argila em esculturas, sustento e histórias; há 20 anos, o Polo Cerâmico do Poti Velho celebra a tradição e o talento de quem faz da arte um legado.




Há histórias que não precisam ser escritas no papel. Elas cabem na palma da mão, ganham forma entre os dedos e permanecem vivas muito depois que o tempo passa. No Poti Velho, bairro mais antigo de Teresina, a memória do Piauí também é contada pelo barro que vira santo, o rosto de uma escultura que parece sorrir e as mãos de quem aprendeu a transformar a terra em sustento, beleza e pertencimento.

Às margens do Rio Poti, o Polo Cerâmico do Poti Velho é um dos lugares em que a identidade piauiense pode ser tocada. Entre vasos, filtros, peças decorativas, esculturas sacras e figuras que retratam o cotidiano da comunidade, o artesanato ultrapassa a função de enfeitar casas. É uma expressão de história, trabalho e resistência, construída por gerações que encontraram na argila um jeito e viver e de contar ao mundo de onde vieram.

O espaço completa 20 anos de atividades em 2026, consolidando uma trajetória de valorização da cerâmica e dos profissionais que fazem dela seu ofício. Hoje, mais de 280 famílias estão diretamente ligadas à produção artesanal na região. Por trás de cada peça, existe uma cadeia de conhecimentos que não nasce pronta, mas sim aprende-se observando, experimentando, errando e tentando novamente, até que a matéria, antes sem forma, revele aquilo que o artista imaginou.


Muito antes de o polo ganhar a estrutura atual, a cerâmica já fazia parte da paisagem e da rotina do Poti Velho. A atividade se desenvolveu em uma comunidade marcada pela relação com o rio, pela pesca e pelo trabalho nas olarias.

Durante muito tempo, a produção acontecia em espaços improvisados, onde fornos, lenha e peças e clientes dividiam áreas próximas à avenida. A organização do polo representou uma mudança nas condições de trabalho e na maneira como o artesanato era apresentado a moradores e visitantes.

Para quem vive dessa arte, a transformação não se resume à construção de um espaço comercial. Ela também significa reconhecimento. Artesãos que acompanham essa história há décadas aprenderam a trabalhar com a preparação a massa e, aos poucos, passaram a modelar as próprias esculturas. Muitos não tinham mestres formais e descobriram a técnica na prática, desenvolvendo um talento que hoje compartilha com parentes e amigos da comunidade.


O aprendizado, nesses casos, não termina quando uma peça fica pronta. Ele continua cada vez que alguém observa o trabalho de um artesão, pergunta como determinada forma foi criada ou decide aprender o ofício. É assim que uma tradição permanece viva: não como uma fotografia imóvel do passado, mas como conhecimento que circula, se adapta e encontra novas mãos para continuar existindo.

O rosto que nasce da argila

No trabalho de escultura, cada detalhe exige paciência. O artesão que produz imagens religiosas costuma começar pela cabeça, etapa que considera a mais delicada. Um rosto pode levar aproximadamente um dia para ficar pronto, entre modelagens, ajustes e tentativas de alcançar a expressão desejada.

O desafio não está apenas em reproduzir uma figura, mas em dar personalidade a ela. Uma versão de um santo pode transmitir serenidade; o outro, alegria. As mãos, o manto, as roupas e os pequenos elementos do corpo completam a composição. Para chegar ao resultado, o artista observa a peça, acrescenta detalhes e, quando não fica satisfeito, pode desfazer o trabalho e recomeçar.



Há uma beleza particular nessa exigência. Em um mundo acostumado à velocidade da fabricação em série, o artesanato lembra que algumas coisas precisam de tempo para encontrar sua forma. A escultura não sai de uma máquina com todas as suas características definidas. Ela se constrói no diálogo entre a experiência de quem cria e a resistência de uma matéria que nem sempre obedece à primeira tentativa.

O resultado dessa diversidade está nas prateleiras do polo. Há objetos utilitários, artigos de decoração, esculturas religiosas e peças que carregam referências do cotidiano piauiense. Cada uma tem suas particularidades, porque o trabalho manual preserva marcas do gesto de quem a produziu. Comprar uma dessas obras é levar para casa algo que não se limita à aparência e é, também, uma maneira de manter o trabalho de um artista ligado à própria comunidade.

A história do artesanato no Poti Velho também é feita de mulheres que precisaram conquistar espaço em uma atividade tradicionalmente dominada pelos homens. Em 2003, um grupo começou a se organizar para participar da produção cerâmica e construir alternativas de renda. Eram mulheres ligadas à rotina das olarias, donas de casa e trabalhadoras que também ajudavam na pesca, mas não encontravam as mesmas oportunidades de atuação no ofício.

Raimundinha Teixeira, artesã e liderança comunitária, esteve entre as pessoas que ajudaram a transformar essa realidade. A iniciativa começou com 28 mulheres reunidas para participar de cursos de modelagem, bijuteria e cerâmica. Ao final da formação, oito permaneceram trabalhando. Com incentivo e organização coletiva, o grupo cresceu, passou pela associação e chegou à criação da Cooperativa de Artesanato do Poti Velho, a Cooperarte Poti.

Raimunda Teixeira - (Assis Fernandes/ODIA)Assis Fernandes/ODIA
Raimunda Teixeira

Para Raimundinha, a mudança representou uma superação profissional e social. A cooperativa mostrou que as mulheres também poderiam trabalhar com a cerâmica, aprender técnicas, produzir peças e participar da renda familiar em uma atividade antes associada principalmente aos homens. Mais do que conquistar espaço, elas abriram caminho para que esposas e filhos de artesãos também pudessem se envolver na produção.

A trajetória da própria Raimundinha ajuda a compreender a dimensão dessa transformação. Mãe solo de dois filhos, ela trabalhava na olaria quando decidiu procurar uma alternativa de sustento. Encontrou no artesanato uma possibilidade de melhorar de vida e, com o tempo, descobriu também uma vocação para a liderança comunitária. A participação na organização dos trabalhadores ampliou seu papel, levando-a a contribuir para mudanças que ultrapassaram sua própria história.

“Sou apaixonada pelo que faço. Se tivesse que voltar atrás, faria tudo de novo”, conta. A fala resume uma trajetória construída não apenas pela habilidade individual, mas pela união de mulheres que encontraram força umas nas outras.

Um dos símbolos desse percurso é a coleção Mulheres do Poti, formada por esculturas que representam cinco personagens da comunidade: a mulher religiosa, a mulher do pescador, a mulher da olaria, a mulher ceramista e a mulher das continhas. Cada figura recupera uma parte da história local e dá visibilidade a experiências que nem sempre foram reconhecidas como parte do patrimônio cultural da cidade.

Ao transformar essas vivências em esculturas, as artesãs fazem mais do que representar personagens. Elas registram a própria história, com suas dificuldades, conquistas e mudanças. São mulheres que antes apareciam pouco nas narrativas sobre a produção local e que agora contam, com as próprias mãos, quem são e o que construíram.



Um patrimônio que continua em movimento

O Polo Cerâmico também acompanha as mudanças na forma de receber quem visita Teresina. Inaugurado em junho de 2024, o Parque Vila Poti ampliou as possibilidades de lazer e convivência na região, com espaços para alimentação, passeio, recreação infantil e contemplação da paisagem. O conjunto fortalece a ligação entre artesanato, gastronomia e turismo, convidando o visitante a permanecer no bairro para além do momento da compra.

Para quem chega ao polo, a experiência começa pela diversidade das peças, mas pode terminar na descoberta maior de que a cultura não está restrita aos museus ou às datas comemorativas. Ela vive no trabalho cotidiano, nos conhecimentos compartilhados e nas pessoas que continuam produzindo mesmo quando a tradição precisa disputar espaço com as dificuldades econômicas e as mudanças do mercado.

Pólo Cerâmico do Poty Velho - (Assis Fernandes/ODIA)Assis Fernandes/ODIA
Pólo Cerâmico do Poty Velho

Apoiar o artesanato local, portanto, não é apenas adquirir uma lembrança de viagem. É contribuir para a continuidade de um ofício, para a renda de famílias e para a transmissão de conhecimentos que poderiam se perder se deixassem de encontrar espaço na vida contemporânea. Cada compra pode ajudar a manter essa cadeia, mas a valorização também depende de divulgação, oportunidades de comercialização e reconhecimento dos profissionais.

No Dia do Piauí, olhar para o Poti Velho é lembrar que a identidade de um povo não se constrói somente nos grandes acontecimentos. Ela também nasce nas tarefas repetidas todos os dias, nas mãos que trabalham antes de o sol esquentar, nas mulheres que abrem caminhos e nos artistas que descobrem uma nova forma dentro de um pedaço de barro.

A argila vem da terra, mas aquilo que ela passa a contar pertence às pessoas, aos piauienses. Em cada escultura, há um pouco do rio, da comunidade, das famílias e de um conhecimento que atravessa gerações sem permanecer igual. O Polo Cerâmico do Poti Velho completa duas décadas como espaço organizado, mas a história que abriga é muito mais antiga e segue sendo escrita a cada nova peça.

No fim, talvez o segredo do artesanato piauiense seja transformar algo tão simples quanto a terra em uma expressão de quem somos. Porque o barro pode secar, a peça pode mudar de lugar e o tempo pode apagar muitas lembranças. Mas, enquanto houver mãos dispostas a moldar e histórias dispostas a serem contadas, a memória do Poti Velho continuará encontrando formas de permanecer viva.


Fonte portal O dia 



Bradesco vai encerrar atendimento presencial em Esperantina na sexta-feira (23)

 Último dia de atendimento será sexta-feira (23); a partir de segunda-feira (26), clientes que precisarem de atendimento interno deverão ir a Barras, a cerca de 60 km de Esperantina.


A agência do Banco Bradesco, em Esperantina (PI), vai encerrar definitivamente as atividades na próxima sexta-feira (23/10), após 15 anos de funcionamento no município. A informação foi divulgada em um comunicado fixado na porta da unidade.

Segundo o aviso, excepcionalmente na sexta-feira (23), o atendimento ao público será realizado até meio-dia. A partir da segunda-feira (26), os clientes que precisarem de atendimento presencial dentro da agência deverão se deslocar para o município de Barras, localizado a aproximadamente 60 quilômetros de Esperantina.

Bradesco vai encerrar atendimento presencial em Esperantina na sexta-feira (23)

O fechamento da unidade já havia sido anunciado em março deste ano e motivou uma série de medidas do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) e da Justiça para tentar impedir a desativação.

Em abril, a 2ª Promotoria de Justiça de Esperantina instaurou um procedimento administrativo e expediu uma recomendação para que o banco suspendesse imediatamente o fechamento da agência física no município.

Na sequência, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública contra o Bradesco para garantir a continuidade do atendimento presencial e evitar prejuízos à população que depende dos serviços bancários oferecidos na unidade.

Na ocasião, a Justiça concedeu uma liminar suspendendo o fechamento. A decisão foi proferida pela juíza Cássia Lage Macedo, da 2ª Vara da Comarca de Esperantina, após o Ministério Público apontar possíveis prejuízos aos clientes, especialmente idosos, pessoas com deficiência, aposentados e pensionistas que dependem do atendimento presencial.

Segundo o processo, a previsão inicial do banco era encerrar as atividades em 17 de abril, sem comunicação prévia considerada adequada aos clientes e sem garantia de continuidade dos serviços bancários essenciais.


Com a suspensão do fechamento, a agência continuou funcionando. Entretanto, parte dos clientes, principalmente aposentados e pensionistas, foi direcionada para outras instituições bancárias, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.


O portal apurou que o Bradesco teria derrubado a liminar e deverá encerrar as atividades da unidade na data anunciada no comunicado, apesar das medidas judiciais adotadas anteriormente.


Correspondentes bancários

Com o encerramento da agência física, o Bradesco informou que manterá três correspondentes bancários em Esperantina. Os estabelecimentos fazem parte da rede Bradesco Expresso, que oferece serviços como pagamentos, saques, depósitos, contratação de empréstimos consignados, solicitação de cartões de crédito e contratação de seguros, conforme os serviços disponíveis em cada ponto.


Confira os endereços informados pelo banco:


Drogaria Plantofarma: Rua Vereador Ramos, nº 1129, Centro.

Drogaria Melhor Farma: Rua Coronel José Fortes, nº 1135, Centro.

Drogaria Genérica: Praça Duque de Caxias, nº 462, Centro.

Os correspondentes oferecem alternativas para algumas operações bancárias, mas não substituem necessariamente todos os serviços disponíveis em uma agência física.

Fonte portal revista az 

Corpo de filho que tentou salvar o pai é encontrado no Rio Poti e outro segue desaparecido

 

Corpo de filho que tentou salvar o pai é encontrado no Rio Poti | G1

O corpo de um dos dois filhos que desapareceram nas águas do rio Poti, na região do bairro Ilhotas, em Teresina, foi encontrado por volta das 11h45 desta segunda-feira (19). As buscas continuam para localizar a terceira vítima da ocorrência, registrada na tarde de domingo (18), quando um homem de 43 anos morreu afogado e os dois filhos dele desapareceram no rio.
As vítimas foram identificadas como Antônio das Dores Ferreira de Sena, de 43 anos, e os filhos Vitor Dyerrisson Sousa de Sena, de 26 anos, e Pablo Vinícius de Sousa Sena, de 24 anos. O corpo do pai foi localizado ainda no domingo e liberado para sepultamento.
De acordo com informações repassadas por populares, Antônio estaria pescando quando se desequilibrou da embarcação e caiu na água. Ao perceberem a situação, os filhos tentaram resgatá-lo, mas também acabaram se afogando.

O Corpo de Bombeiros Militar do Piauí iniciou as operações de resgate ainda no domingo, com uma equipe de mergulhadores. Os trabalhos seguiram até as 20h, quando foram temporariamente suspensos devido aos riscos das buscas durante o período noturno.
As equipes retornaram ao local às 6h desta segunda-feira. Para intensificar a operação, o efetivo foi ampliado em 100%, com a participação de bombeiros que estavam de folga e se voluntariaram para reforçar os trabalhos.
Por volta das 11h45, um dos corpos dos filhos foi localizado e resgatado. As equipes permaneceram na região para dar continuidade às buscas pelo último desaparecido.
O caso ocorreu nas proximidades do Centro de Educação, Formação e Aperfeiçoamento Profissional (CEFAP), na região do bairro Ilhotas, zona urbana de Teresina.

Fonte portal R10 

SSP-PI prende seis suspeitos em operação contra facções e apreende Porsche e R$ 20 mil

 A Secretaria de Segurança Pública do Piauí, por meio da Polícia Civil e Polícia Militar, deflagrou nesta segunda-feira (19/10) uma operação de combate ao crime organizado nos municípios de Teresina e Timon, no Maranhão. A ação tem como objetivo prender lideranças de organizações criminosas e desarticular grupos envolvidos em atividades ilícitas no estado.

Até o momento, seis pessoas foram presas. Também foram apreendidas armas de fogo, munições, entorpecentes, aproximadamente R$ 20 mil em dinheiro em espécie e veículos, entre eles um Porsche de luxo.

A ação também resultou na recaptura de um foragido da Justiça e na prisão de investigados apontados como lideranças de organizações criminosas. Entre os detidos está um homem investigado por envolvimento com o tráfico de drogas no bairro Mafrense, na zona Norte de Teresina. Em Timon, no Maranhão, foi preso M.A.M., conhecido como Sapão, apontado como liderança de uma organização criminosa com atuação nos estados do Maranhão e Piauí.

Foto: SSP-PISSP-PI
SSP-PI

Deflagrada no Dia do Piauí, a operação integra a estratégia da Secretaria de Segurança Pública de intensificar o enfrentamento ao crime organizado, com foco na identificação e prisão de indivíduos que exercem funções de liderança e comando. A iniciativa busca enfraquecer a estrutura dessas organizações e reduzir sua capacidade de atuação no estado.

A ação foi realizada de forma integrada pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), pela Superintendência de Operações Integradas (SOI) e pela Polícia Militar, por meio de suas unidades especializadas.

As diligências seguem em andamento e, após a conclusão dos trabalhos, a Secretaria de Segurança Pública divulgará o balanço completo das prisões e apreensões realizadas durante a operação.

Fonte  180graus.com 

Saiba quem são o pai e os dois filhos vítimas de afogamento no Rio Poti, em Teresina

 Antônio das Dores, de 43 anos, e os filhos Vitor Dyerrisson, de 26 anos, e Pablo Vinícius, de 24 anos, foram identificados como as vítimas de um afogamento registrado na tarde deste domingo (18/10), no Rio Poti, em Teresina. O caso aconteceu na região do bairro Ilhotas, nas proximidades do Centro de Educação, Formação e Aperfeiçoamento Profissional (CEFAP).

Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí, Antônio teria sido o primeiro a se afogar. Ao perceberem a situação, os dois filhos entraram no rio na tentativa de salvá-lo, mas também acabaram submersos.

Antônio tinha 43 anos e era pai de Vitor e Pablo. O corpo dele foi localizado pelas equipes de resgate por volta das 19h de domingo (18/10), poucas horas após o início das buscas.

Vitor tinha 26 anos e era um dos filhos de Antônio. Conforme as informações repassadas aos bombeiros, ele entrou no rio junto com o irmão para tentar resgatar o pai. O corpo do jovem foi localizado na manhã desta segunda-feira (19/10), por volta das 11h.

Pablo tinha 24 anos e também era filho de Antônio. Ele entrou no rio junto com o irmão na tentativa de salvar o pai e acabou desaparecendo. Após a localização dos corpos de Antônio e Vitor, as equipes de resgate mantiveram as buscas por Pablo.

Foto: ReproduçãoReprodução
Reprodução

Buscas no Rio Poti

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 17h de domingo. Os trabalhos foram suspensos durante a noite por questões de segurança, principalmente devido à baixa visibilidade, e retomados às 6h desta segunda-feira (19), com três equipes mobilizadas.

A presença de aguapés no trecho do rio dificultou a operação. Até a última atualização das informações, as equipes continuavam procurando por Pablo Vinícius.

Fonte 180graus.com